Quando escrever virou motivo de dúvida

Eu tinha apenas 13 anos quando experimentei uma das primeiras grandes frustrações com a escrita. A poesia que preparei como tarefa escolar nasceu de um momento de inspiração verdadeira. Cheguei à escola orgulhosa, sentindo que havia criado algo especial.

Antes mesmo de mostrar à professora, compartilhei com alguns colegas. Mas, em vez de incentivo, ouvi os primeiros sussurros:

— “Eu já li isso em algum lugar.”

— “Ela copiou.”

Logo, o comentário virou consenso. A professora e até parte do corpo docente questionaram a autoria. Eu, sem saber como me defender, me encolhi diante das acusações. O que antes era entusiasmo se transformou em constrangimento e impotência.

O monstro que se instala

A partir daquele episódio, nasceu um “monstro” que me acompanhou por anos: o medo de me expor publicamente. Sempre tive talento para a escrita e para a comunicação, mas passei a evitar situações em que pudesse ser julgada.

Deixei de interagir em grupos e debates, mesmo quando tinha conhecimento sobre o assunto.

Sentia dificuldade em pertencer, com medo das críticas e deboches.

Muitas vezes, sabotava meus próprios talentos, como se me esconder fosse mais seguro.

Por dentro, o desejo de escrever permanecia vivo. Mas por fora, o silêncio parecia mais confortável que a possibilidade de ser ferida novamente.

O reencontro com a escrita

 

Mais de 20 anos depois, durante um treinamento de liderança, aquela lembrança voltou com força. Mas, em vez de me paralisar, trouxe uma nova reflexão: se uma poesia de adolescente foi capaz de gerar tanta dúvida, talvez fosse porque já havia ali um talento fora da média.

 

Naquele momento, ressignifiquei a experiência. Percebi que o problema nunca esteve na minha capacidade, mas no medo de assumir meu próprio valor. O monstro da insegurança ainda existia, mas já não tinha o mesmo poder.

A lição que ficou

 

Hoje entendo que o desenvolvimento é um processo contínuo. Sempre haverá críticas e olhares desconfiados, mas eles não definem quem eu sou nem o que posso produzir. O que me define é a coragem de continuar escrevendo, aprendendo e me permitindo melhorar a cada dia.

 

Escrever, afinal, não é apenas sobre palavras no papel. É sobre ter coragem de se mostrar, de compartilhar sua voz, mesmo quando ela treme.

 

Para você refletir

E você, já viveu um momento em que duvidaram da sua capacidade? Como isso impactou a forma como você lida com seus talentos hoje?

 

Se pudesse revisitar sua própria trajetória, que “monstro” você gostaria de ressignificar para dar mais espaço à sua voz?

 

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